ENCONTRO 1

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Poema em linha reta

Álvaro de Campos (Fernando Pessoa)

(enviado por Aline Sobreira de Oliveira)


Nunca conheci quem tivesse levado porrada. Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo. E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil, Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita, Indesculpavelmente sujo, Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho, Eu, que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo, Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas, Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante, Que tenho sofrido enxovalhos e calado, Que quando não tenho calado, tenho sido mais ridículo ainda; Eu, que tenho sido cómico às criadas de hotel, Eu, que tenho sentido o piscar de olhos dos moços de fretes, Eu, que tenho feito vergonhas financeiras, pedido emprestado sem pagar, Eu, que, quando a hora do soco surgiu, me tenho agachado, Para fora da possibilidade do soco; Eu, que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas, Eu verifico que não tenho par nisto tudo neste mundo. Toda a gente que eu conheço e que fala comigo Nunca teve um acto ridículo, nunca sofreu enxovalho, Nunca foi senão príncipe — todos eles príncipes — na vida... Quem me dera ouvir de alguém a voz humana Que confessasse não um pecado, mas uma infâmia; Que contasse, não uma violência, mas uma cobardia! Não, são todos o Ideal, se os oiço e me falam. Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil? Ó príncipes, meus irmãos, Arre, estou farto de semideuses! Onde é que há gente no mundo? Então sou só eu que é vil e erróneo nesta terra?



O Vencedor

Música de Los Hermanos

(enviado por Allyson Alves)


Olha lá quem vem do lado oposto E vem sem gosto de viver Olha lá que os bravos são escravos Sãos e salvos de sofrer Olha lá quem acha que perder é ser Menor na vida Olha lá quem sempre quer vitória E perde a glória de chorar Eu que já não quero mais Ser um vencedor Levo a vida devagar Pra não faltar amor Olha você e diz que não Vive a esconder o coração Não faz isso, amigo Já se sabe que você Só procura abrigo Mas não deixa ninguém ver Por que será Eu que nunca fui assim Muito de ganhar Junto as mãos ao meu redor Faço o melhor que sou capaz Só pra viver em paz