Prática: Lidando com Emoções Difíceis



A autocompaixão ajuda a diminuir a retenção de emoções negativas, mas é importante lembrar que ela não leva as emoções negativas para longe, como uma forma de aversão. Esse ponto é muitas vezes confuso, porque a sabedoria convencional (e da famosa canção Accentuate The Positive de Johnny Mercer) diz que devemos acentuar o positivo e eliminar o negativo. O problema, no entanto, é que se você tentar eliminar o negativo, o tiro vai sair pela culatra. A resistência mental ou emocional à dor apenas agrava o sofrimento (lembre-se, Sofrimento = Dor X Resistência). Nosso subconsciente registra qualquer tentativa de evasão ou de supressão, de modo que aquilo que tentamos evitar acaba sendo amplificado. Vários psicólogos realizaram uma grande quantidade de investigação sobre a nossa capacidade de suprimir conscientemente pensamentos e emoções indesejados. As conclusões são claras: não temos tal capacidade. Paradoxalmente, qualquer tentativa de suprimir conscientemente esse tipo de pensamento e emoção apenas os torna mais fortes (Neff, 2017, pg. 118)

Essa prática é muito especial e muito potente! Pessoalmente, é uma das práticas do Programa MSC que mais me ajudam: ela nos ensina a como podemos nos relacionar com emoções desafiadoras com mais sabedoria. Uma das grandes dificuldades que temos ao nos depararmos com a raiva ou a ansiedade, por exemplo, é a reatividade. As emoções nos tomam, como se estivéssemos em meio a um mar turbulento; então simplesmente somos carregadas por essa emoção (muitas vezes para lugares piores do que onde estávamos! rs).


Por exemplo, quando sentimos raiva porque alguém nos machucou e dizemos coisas que vão ferir profundamente a outra pessoa e nos arrependemos disso depois. Ou quando estamos com medo de que algo vá acontecer e ficamos ruminando, tomadas por pensamentos catastróficos. Nestes dois exemplos, xingar e ruminar não nos ajudaram, certo? Continuamos sentindo a raiva e o medo, e ainda acrescentamos mais uma "camada" de sofrimento.


As pesquisas mostram que as pessoas com nível mais elevado de autocompaixão são significativamente menos propensas a suprimir pensamentos e emoções indesejados. Estão mais dispostas a experimentar seus sentimentos difíceis e reconhecem que suas emoções são válidas e importantes. Isto resulta da segurança fornecida pela autocompaixão. Não é tão assustador enfrentar a dor emocional quando você sabe que será apoiado durante todo o processo. Da mesma forma, é mais fácil se abrir para um amigo próximo, em quem você pode confiar por ser carinhoso e compreensivo. Portanto, é mais fácil abrir-se para si mesmo quando você pode confiar que a sua dor será retida na consciência compassiva.
A beleza da autocompaixão é que, em vez de substituir sentimentos negativos pelos positivos, novas emoções positivas são geradas quando abraçamos as negativas. As emoções positivas do cuidado e da conectividade são sentidas ao lado do nosso sentimento doloroso. Quando temos compaixão por nós mesmos, sol e sombra são ambos experimentados simultaneamente. Isso é importante: assegurar-se que o combustível de resistência não seja adicionado ao fogo da negatividade. Ele também nos permite celebrar toda a gama da experiência humana, para que possamos nos tornar inteiros. Como disse Marcel Proust, “somente somos curados do sofrimento quando o vivemos ao máximo.” (Neff, 2017, pg. 119)

A prática, então, é esse treino de estarmos diante de sentimentos muito difíceis para nós e nos familiarizamos com eles através do mindfulness e da autocompaixão.


Se ao fazer a prática você tiver qualquer dificuldade ou dúvida, entre em contato comigo que ficarei feliz pela oportunidade de apoiar teu caminho!


Ouça a prática aqui!